20/05/10

Relatório de Grupo...Por onde começar?


Quando comecei escrever meus relatórios não sabia muito por onde começar. Só a experiência com a turma não basta. Na minha opinião o professor precisa de orientação juntamente com a coordenação da escola, através do estudo sobre o tema. Segue abaixo minhas reflexões sobre o trabalho desenvolvido com crianças de 1 a 2 anos de idade.


RELATÓRIO DO GRUPO


A curiosidade, a independência e as descobertas estiveram presentes no dia-a-dia da turma do G1. Nestas oportunidades cada criança construiu seus vínculos afetivos e estabeleceram formas de relacionar-se.

A adaptação foi um período de aprendizagem para a família, a escola e as crianças, pois juntos descobrimos sobre o convívio, novas rotinas e exploração dos ambientes. Para muitas crianças do G1 essa foi à primeira vivência em um ambiente escolar, por isso a família teve um papel fundamental neste processo: “Olha que legal essa brincadeira! Vamos dar a mão para a Cíntia! Depois eu volto para te buscar!”. Quando este desafio é ultrapassado de forma tranquila e prazerosa, certamente a criança terá boas referências para as próximas relações. Assim, com dedicação, acolhimento e muita aprendizagem, demos o pontapé inicial para vivenciar novas conquistas.

Dividimos o nosso tempo em diversos momentos (atividades de exploração, roda de conversa, atividades individuais, coletivas, atividades em cantos, atividades externas na Vila, Quadra, Varanda, Pátio Coberto, Biblioteca e Sala de Música).

A chegada das crianças na sala é marcada pela exploração dos brinquedos. Juntos ou separados, cada criança tem a oportunidade de escolha.

A roda inicial é fundamental para que as crianças verbalizem seus sentimentos de forma prazerosa e comecem a participar da rotina. A turma do G1 inicia o dia cantando, dançando e realizando gestos. Neste momento estão ampliando o repertório de cantigas e do vocabulário, além de socializar-se. Realizamos também os exercícios fonoarticulatórios através de bulbucios, de imitar os sons dos animais, barulhos da natureza: vento, mar, etc. Nessa imitação as crianças desenvolvem o abrir e o fechar da boca e os movimentos com a língua que facilitam a articulação das palavras e o desenvolvimento da fala.

Utilizamos a plaquinha do nome para fazer a chamada, através da cantiga: “Se fosse um peixinho e soubesse nadar eu tirava...do fundo do mar”. Além de conhecer o seu nome, as crianças começam a identificar os nomes dos colegas. É neste processo que entramos em contato com a escrita de forma contextualizada.

Na sala, são organizados cantinhos com bonecas, livros, blocos de montar, casa das bolinhas, etc. Esses momentos de exploração são vivenciados com grande independência. Inicialmente as crianças andavam pela sala fazendo o reconhecimento daquele novo espaço, depois começaram a passar pelo túnel, jogando as bolas para cima e para fora da casinha. No canto das bonecas cantamos as canções: “ Buá, Buá bebê já vai chorar, Uê, Uê não sei o que ele quer? Ele quer mamar, ele quer papa, ele que naná, acho que ele quer brincar...” da educadora e compositora Margareth Arezzo e a canção:“O que é que tem na sopa do neném....” dos compositores Paulo Tatit e Sandra Peres. As crianças demonstraram entusiasmo ao acompanhar as músicas, verbalizando algumas palavras e gestos, além de vivenciar o faz de conta.

No canto dos blocos de encaixe montamos aviões e carros para aguçar a imaginação e a criatividade. No início algumas crianças colocavam as peças na boca, que é considerado normal nessa fase do desenvolvimento, pois ainda é a forma presente de perceber o mundo, no entanto, algumas crianças já conseguem encaixar as peças, assim descobrem novos brinquedos e avançam em suas hipóteses.

Confeccionamos brinquedos com caixas, latas, e potes. As crianças empilharam, puxaram e descobriram sons com chocalhos de sucata. O interesse do grupo foi intenso.

No pátio coberto a turma do G1 mostrou-se entusiasmado em correr e cantar a canção: “Bum, bum, bum, meu bumbum eu vou bater, bum, bum, bum pra brincar e correr”. É contagiante vivenciar cada olhar de alegria.


“...Ao brincar, a criança busca imitar, imaginar, representar e comunicar...”“...Por meio da repetição daquilo que já conhecem, através da imitação diferida, atualizam seus conhecimentos prévios para compreendê-los e ampliá-los...”.

Gisela Wajskop


As crianças dessa faixa etária começaram a andar a pouco tempo e o trabalho motor é fundamental para que o grupo consiga explorar o ambiente de forma segura. Diversas experiências motoras são trabalhadas, como: engatinhar, rastejar, balançar, rolar, pular, andar, saltar, subir e descer de várias formas. Nestas atividades além do desenvolvimento da coordenação motora, as crianças buscam estratégias para resolver problemas, como esperar sua vez para ir no balanço, trocar de motoca ou aguardar sua vez para descer no escorregador. Muitos ainda não verbalizam de forma clara, no entanto, são estimulados a falar sobre agrados e desagrados.

Junto a família estamos coletando informações para o nosso livro de recordações que será finalizado no final do segundo semestre. A casinha da família também aproxima este convívio, proporcionando a criança uma imagem positiva de si, além de “alimentar” sua autoestima. Observar e participar deste processo também amplia os laços afetivos.

O G1 B é formado por crianças que demonstram no olhar a capacidade de aprender e de trocar com o outro.

Cada degrau ultrapassado sem apoio, cada palavra ou frase dita ao acaso, cada sorriso e abraço apertado, cada descoberta, demonstra que tais conquistas e aprendizagens estão apenas começando.


Cíntia Cocuzzi


Referencial Teórico

Reflexão sobre os Relatórios de Avaliação - Telma Vinha

Avaliação na Pré-escola - Jussara Hoffmann




2 comentários:

  1. Imagino o quanto deva ser complicado fazer um relatório de grupo, pois é uma análise de um processo de trabalho de forma holística.

    No que cerne o tratamento com crianças de uma faixa etária muito nova percebe-se que mesmo que o tratamento verbal se pareça com um tratamemento que se pode dizer "familiar", existe uma técnica apurada para desenvolver e direcionar os caminhos educativos das crianças.

    Por isso, creio que deve-se dar importância fundamental a esse documento (se é que podemos chamá-lo assim), para que ele seja um guia, um pilar de conhecimento do indivíduo que é o centro de um trabalho.

    Mas também, é claro que não se deve deixar de lado a percepção de que a avaliação diária dos pais e o acompanhamento das atividades por parte da família é fator preponderante, pois desta forma eles também participam do processo avaliativo e no ato de recebimento do relatório entenderão aquilo também como um documento de "confirmação" dos resultados que inclusive eles participaram.

    Parabéns pela demonstração de destreza com o assunto, aprendi muito com esse artigo e tenho certeza que servirá de exemplo para meu trabalho com o ensino superior.

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  2. Cintia,
    parabéns pelo trabalho desenvolvido,impresso em cada palavrinha contida em seu relatório,o que propicia ao leitor tranportar-se para sala de aula e vivenciar mesmo que no imaginário um momento prazeroso!
    Sem falar na delicadeza,respeito,seriedade e carinho com que trata a educação!
    Mais uma vez Parabéns!!!

    Thais Guedes

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