27/11/10

RELATÓRIO INDIVIDUAL

Para que o Relatório avalie e descreva com propriedade as conquistas do aluno, o acompanhamento diário precisa acontecer. Observar e anotar a postura da criança diante de uma atividade, conflitos, evoluções, etc , ilustram o trabalho desenvolvido pelo professor e a capacidade de organizar suas ideias.


Nome fictício: Bruna
Idade aproximada: 2 anos


"... Eles não sabem, nem sonham que o sonho
comanda a vida. Que sempre que um homem
sonha, o mundo pula e avança como uma
bola colorida entre as mãos de uma criança”.

Antonio Gedeão


Bruna retornou das férias tranquilamente, retomando com facilidade a convivência com as crianças do grupo, comigo e com a Manuela.
Quando chega, desce do colo do João do transporte ou da mamãe, interagindo com todos. Bruna manipula todos os objetos. Escolhe um canto e brinca com seus amigos, fica na companhia da Joana, Leandra e da Tamires. É independente ao criar suas brincadeiras. " Vamos brincar de casinha?" " Tamires pega a boneca!" , organiza com facilidade o lugar e os brinquedos que serão utilizados. As bonecas, os cobertores e as panelinhas ainda fazem parte do seu repertório de brincadeiras. O brincar é uma atividade sociocultural e origina-se nos valores, hábitos e normas de uma determinada comunidade ou grupo social. Experimentar o mundo e interpretar, significa compreender de maneira ativa as suas vivências.
A comunicação oral e gestual é constante neste grupo, algumas crianças verbalizam pequenas palavras, frases ou apenas gesticulam. Na sala, Bruna pede: "Cíntia, quero a bolinha de sabão! Vou fazer bolinhas!" Suas frases possuem clareza e transmissão de ideias. A cada dia nos surpreende com sua iniciativa e segurança ao relatar as situações do dia a dia. Nesse processo, estimulamos a fala a partir destas situações, nomeando brinquedos, brincadeiras, nome dos amigos, dos professores, além da criar momentos de diálogo constante nas rodas de conversa: “Onde você foi passear com o papai e a mamãe? O que faz esse brinquedo? Qual será a fruta de hoje no lanche? Qual o bicho que mora na floresta?” O diálogo precisa ser vivenciado em casa, valorizando ideias e consolidando novas aprendizagens.
Bruna reconhece e nomeia os animais: "Bruna, vamos pegar cachorro?" Complementa: "au, au, cachorro" imitando o som e pegando o brinquedo. Assim para os demais animais; porco, a vaca, etc.
Interage nas brincadeiras, histórias e principalmente nas canções que utilizamos durante a “roda". Cumprimenta: "Boa Tarde!", quando pergunto que música você quer cantar? Fala: " O Rato". Com o microfone na mão sobe na caixa e imita a ratinha.
Quando quer algo e não é atendida prontamente pode se jogar no chão, como forma de protesto, então converso com ela, dizendo que não precisa chorar para conseguir o que quer. Apenas falar o que está sentindo: " Bruna, quando você se acalmar conversaremos!" Nesse momento demora um pouco para recompor-se, mas na maioria das vezes fica calma e fala: " Quero a chupeta" Assim complemento: " Desta forma podemos conversar, mas você sabe que a chupeta é para dormir, você quer dormir?", responde: " Não", então pergunto: " O que vamos fazer?", pensa um pouco e fala: "brincar!". Nesse diálogo Bruna consegue compreender de forma ativa como agimos diante de um conflito.
Durante as atividades livres na varanda, sala ou Vila, Bruna acabou mordendo alguns dos seus amigos. Às vezes por um conflito, outras vezes, sem nenhum motivo aparente.

"...É preciso considerar que para a criança a mordida não é uma arma, como seria para um adulto. É antes, uma forma de expressão. Desde que o bebê nasce, é pela boca que ele percebe o mundo. Não apenas pelo ato de sucção e das mamadas, mas pelo choro, pelo riso, pelo balbuciar. À medida que cresce e com o surgimento dos dentes, esse processo continua, e morder também passa a ser uma forma de interagir com o mundo, de perceber a consistência de um objeto e também de provocar reações. Portanto, para compreender as mordidas, é necessário levar em conta o contexto em que ocorrem. Geralmente, estão associadas ao sentimento de contrariedade, de frustração, de ansiedade, de raiva, de ciúmes, de busca de atenção. No entanto, é necessário mostrar à criança que o que ela faz provoca dor, machuca. E, além disso, ensinar que existem outras formas de expressar seus sentimentos. ".
(Ana Maria Mello e Telma Vitória)

Percebemos que no fim do semestre a Bruna deixou aos poucos de utilizar este recurso.
Quando brincamos em grupo, Bruna sente dificuldade em emprestar seus brinquedos. Segundo Rosely Sayão as primeiras relações das crianças são sustentadas pelo afeto, nada mais coerente do que convidá-las a olhar para outros de quem gostam a fim de saber do que eles precisam ou pedem e que a criança tem condições de atender. Perguntar à criança se ela pode imaginar o quanto o irmão ou o colega ficaria alegre caso ela emprestasse algo seu ou o ajudasse no que precisa é dar a oportunidade à de se dirigir ao outro sem se sentir prejudicada.
Nesse semestre também começamos o seu desfralde. Bruna passou por esse processo com tranquilidade. Em alguns momentos ainda faz xixi na calça, pois não quer parar de brincar para ir ao banheiro, que é considerado normal nessa faixa etária, no entanto, mostrou-se pronta para este novo desafio. Parabéns!
Bruna desloca-se com segurança nos ambientes da escola. Sobe, desce, empurra, engatinha e pula com facilidade. Equilibra-se no banco e completa os circuitos com independência. Bruna desce pelo escorregador sem auxílio e utiliza a motoca com destreza. O balanço com certeza é o brinquedo que prioriza nas suas idas à Vila, Me chama para balançar, dizendo: "Cíntia, balança bem alto!!". A experiência corporal, de acordo com Baecker (2001) abre acesso para que a criança possa aprender conceitos e ações; desenvolver sua independência, consciência própria e individualidade. "…Nestas experiências o (corpo) abre-se a possibilidade também de fomentar a curiosidade, a busca do novo (novos conceitos).
Mostra-se envolvida nos jogos corporais. Na brincadeira: "Meus pintinhos venham cá!", as crianças viram pintinhos e ficam na parede aguardando o comando. Do outro lado, fica a Mãe galinha que protege os filhotes da raposa, então cantamos: “meus pintinhos venham cá!”. As crianças respondem: “não, não, não, temos medo da raposa”, complemento: " pode vir que eu lhes protejo!” Entusiasmadas falam: " fala um nome então!”. No auge da brincadeira falo: “pintinho Bruna!”, nesse momento Bruna vem ao meu encontro, pois a raposa pode pegá-la, seu entusiasmo é demonstrado por meio de sorrisos. O comando (regra) é determinante para o sucesso da brincadeira. Nesse sentido, aguardar para ser chamado, ouvir o seu nome ou dos colegas, respeitar a vez do próximo, ultrapassar a curiosidade ou o medo da raposa são conquistas surpreendentes para essa faixa etária.
Alguns jogos e brincadeiras também envolveram o reconhecimento do próprio corpo. Como na brincadeira: “Na boca do forno, forno, esquentando o bolo, bolo, farão tudo o que seu mestre mandar, faremos: Mexendo os braços! Imitando um macaco! Uma cobra! Pulando com um sapo! Vamos para a sala de gatinho?”, ou então, encostados na parede cantamos: “ O caranguejo anda para trás, os outros bichos andam para frente, e a gente? “Para frente para trás para o lado, para o outro, com os pés a gente faz o que quiser”. Bruna realiza com intensidade todos os gestos e movimentos.

“A progressiva independência na realização das mais diversas ações, embora não garanta a autonomia, é a condição necessária para seu desenvolvimento”
(Referencial Curricular para Educação Infantil)

O local da escola mais apreciado pelo grupo definitivamente é a areia. O tênis muitas vezes nem precisa de auxílio para ser retirado. A alegria é contagiante! Bruna mostra-se envolvida, enche o balde de areia e faz bolinhos, gosta de ajudar outros amigos, enchedo e auxíliando na construção de outros bolos. Ao montar o bolo, não hesita em colocar uma folha em cima (vela) para cantar parabéns.
Na roda de conversa quando escondo a foto do amigo, Bruna aventura-se ao reconhecer o seu nome e dos amigos, muitas vezes conseguiu realizar a leitura da imagem. Quando falo: " Começa com a letra B , logo complementa: " Bruna!"
No refeitório fica empolgada quando entrega os pratos para seus colegas. No início do ano descascávamos as bananas, hoje, cada criança descasca sozinha, ampliando sua independência e desenvolvendo a coordenação motora fina. Bruna já consegue descascar sem auxílio. Alimenta-se bem nas suas refeições, come pães, bolachas, a sopa e as frutas.
Bruna aprecia os momentos da história, fica atenta a cada detalhe. Na biblioteca pega um livro e senta numa almofada. Observa e folheia, mostrando-se concentrada.
Nas atividades de artes, Bruna explora os materiais que lhe são oferecidos fica por muito tempo realizando o movimento. Distribui a pintura por toda a folha, utilizando o pincel ou brocha. Desenhou sobre diferentes suportes: lixa, camurça, canson, sulfite branco e colorido, no chão, com carvão, enfim, experimentou e mostrou-se interessada e envolvida nas diferentes sensações. Gosta de lavar as mãos sozinha, por diversas vezes noto que está brincando com a água. Segundo o referencial curricular da Educação Infantil, é assim que, por meio do desenho, a criança cria e recria individualmente formas expressivas, integrando percepção, imaginação, reflexão e sensibilidade, que podem então ser apropriadas pelas leituras simbólicas de outras crianças e adultos.
Bruna participou da confecção do “livro de música”, reconheceu as cores: azul, verde, preto e amarelo, durante as pinturas do seu livro.
No projeto do folclore, participou da confecção da Cuca, do Saci e do Boitatá. Bruna amassou o jornal, pintou o rolinho de papel higiênico para montar o saci e confeccionou o grande Boitatá.
Plantou na sala o feijão e cultivou o boneco ecológico. As transformações do meio ambiente, com certeza aguçaram a imaginação dos nossos pequenos. As crianças também conheceram um pouco sobre a biografia e a obra: O Peixe, do pintor Romero Brito. Montaram o seu próprio painel. Quando pergunto quem é o pintor que está no nosso mural, Bruna responde: “Romelo Bito".
Pintou a nossa árvore de natal, confeccionando os enfeites. Mostrou-se independente ao colocá-los na árvore. Aponta para a árvore e fala: " Natal, Natal".
Seus avanços neste semestre foram surpreendentes. A vontade de aprender e de relacionar-se foi realizada intensamente. Estar presente em suas conquistas foi muito gratificante. Tenho certeza que a cada dia novos caminhos serão trilhados por você.

Cíntia Verônica Cocuzzi

Um comentário:

  1. gostei muito da maneira que foi elaborado este relatório com bastante clareza e determinação. PARABÉNS!

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